Caiaque no Parque Estadual Paulo Cesar Vinhas

Volta à Ilha de Vitória em caiaque

A Ilha de Vitória é alvo de desejo de qualquer aventureiro que pratique remada em caiaque. No percurso de volta à ilha é possível passar por praias urbanizadas, pelo Porto de Vitória, pelas três pontes que ligam a capital ao município de Vila Velha, por um dos maiores manguezais em área urbana do Brasil, por comunidades que praticam pesca artesanal e pelo Canal de Camburi. Se você for um turista e fizer esse percurso, pode voltar pra casa com a certeza de que conheceu mais da cidade que muito habitante local.
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A volta à ilha é um desafio que ainda não foi encarado pelo Mochilando com Elas. No entanto, estamos em fase de planejamento para finalmente realizá-la no mês de março. O incentivo final para que a gente topasse fazer a volta foi de um amigo, que realizou essa remada há pouco tempo. Então, lá vão as dicas e o relato do Floris Uyttenhove, nosso amigo belga – e agora remador, que escolheu o (ou foi escolhido pelo) Brasil pra viver. Deixem suas dúvidas nos comentários e nos certificaremos de que ele responda todas! hehe 🙂

 


Por: Floris Uyttenhove

Vitória é sem dúvidas uma das cidades mais bonitas do brasil para se morar, se não do mundo, mas ela tem um grande defeito: não saber explorar adequadamente o turismo de suas belezas. Para conhecer melhor a nossa cidade, nada melhor do que realizar uma volta completa na ilha, em um percurso de 33 Km, passando por debaixo de todas as 7 pontes da cidade.
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Iniciamos o nosso passeio no dia 22 de dezembro de 2015, uma terça-feira, às 6h da manhã. Alugamos um caiaque duplo e um individual na Guarderia que fica na Praça dos Desejos, na Curva da Jurema. O nosso percurso começava ali, dando a volta à ilha no sentido horário.
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A escolha desse dia se deu função de duas variáveis: maré e vento. O vento no dia era NE, algo que nos atrapalhou um pouco até a metade do percurso, mas foi de grande ajuda no trecho final. Já a maré, estava enchendo na primeira metade e esvaziando na volta, mas sinceramente, isto não pareceu fazer diferença nenhuma.
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Para o passeio, recomendo levar um saco estanque com tudo dentro. Peguei emprestado um com a Anazélia que foi muito útil, deixou tudo sequinho. Além disso, é super importante se proteger do sol: blusa de manga comprida, chapéu, óculos, luvas e se possível calça comprida do tipo cargo (esta última não levei e acabei me arrependendo).

 

A volta à Ilha de Vitória

 

Trecho 1: Curva da Jurema x Sambódromo

A primeira hora de passeio foi assustadora, a vontade de desistir era grande, principalmente pelas ondas que pegamos atrás da Ilha do Boi. Só de imaginar que com aquele começo já estávamos cansados, dava medo de continuar. Mas depois de esquentar e pegar o ritmo, o passeio até que estava bom. A vista sob a terceira ponte é incrível, e a medida que adentrávamos ao porto, o silêncio da manhã foi sendo substituído pelo barulho de carros. Fizemos a nossa primeira parada em um píer em frente ao sambódromo, depois de 12km e 3:00 de remada, onde aproveitamos para amarrar os caiaques, esticar as pernas e fazer um lanche.

Trecho 2: Sambódromo x Ilha das Caieiras

17 Km e 5h de remada
Como era o último ponto de parada antes de entrarmos na região do mangue, aproveitamos para tirar a água do caiaque (é importante ter um baldinho, ou garrafa pet cortada para tirar a água que entra com as ondas) e fazer um lanche. Nesse momento, Pedro, que estava sozinho, descobriu que não ter uma dupla faz uma falta grande, pois qualquer parada para descansar os braços para o caiaque, e retomar a velocidade é muito complicado. Amarramos o caiaque dele atrás do nosso e fomos em trio.

Trecho 3: a Roubada

Pelas imagens de satélite, identificamos alguns caminhos que cruzam a região do mangue, poupando alguns bons quilômetros de remada. Mas, como a imagem mostra um caminho estreito no final, perguntamos antes a um pescador local como era a situação deste atalho. Ele nos falou que era tranquilo, e que no final haveria um trecho estreito, difícil de passar, mas que dava para ser feito de caiaque. Acontece que esse estreito era estreito demais e era impossível de passar. E o mais frustrante era que estávamos tão perto de cruzar o mangue que conseguíamos ouvir o som dos carros, mas infelizmente tivemos que voltar. Apesar de estarmos muito cansados, nessa parte a derrota moral foi o que mais nos atacou, já que foram 5 Km a mais no percurso. Remar ficou 10 vezes mais difícil, e a vontade de pegar carona com algum barco pescador motorizado foi forte. Mas de alguma forma, quando voltamos para o caminho normal, retomamos as nossas forças e seguimos em frente.

Trecho 4: O Mangue x Ponte de Camburi

No primeiro trecho desta região, seguimos sempre pelas beiradas para evitar o vento contra. Apesar deste vento atrapalhar a remada, conseguimos passar sem grandes problemas, só não podíamos parar de remar se não éramos levados de volta. Fizemos uma parada no meio do caminho para um lanche rápido e, logo em seguida, aproveitamos um trecho de vento a favor, que nos deu uma aliviada até a Ponte de Camburi.

Trecho 5: Ponte Camburi x Curva da Jurema

Pra fechar o nosso passeio, pegamos o trecho mais difícil de todos. Depois de 36 Km remando, ainda tivemos que tirar forças por um trecho com 2,5 Km de extensão, mas com vento forte e ondas grandes. Remar devagar, ou aproveitar a moleza de ter o vento a favor tinha acabado. Tivemos que tirar forças do além para controlar o caiaque, conseguir progredir contra as ondas e o vento, e ainda revezar a cada 5 minutos para esvaziar o caiaque. Foi uma luta, mas finalmente conseguimos: 38 Km em 10h!
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Resumo do passeio: vale muito a pena fazer a volta na ilha de caiaque, especialmente para quem gosta de desafios. Ao contrário do que eu imaginei, não é necessário tanta força ou experiência (foi a primeira vez de Breno em um caiaque), mas é essencial ter muita disposição e resistência para remar, nem que seja devagar, mesmo quando os braços não responderem mais. Não se esqueçam de levar bastante água, alguns lanches para dar energia, um pedaço de corda e se proteger bastante do sol.

Nesse vídeo do Soul Adventure, você pode ver um pouco do que te espera na volta à ilha mais maravilhosa do Brasil! 😉

 

Dicas gerais

Listamos abaixo algumas dicas que podem complementar o relato do Floris.

  1.  Consulte o WindGuru para ver informações sobre temperatura, pluviosidade, vento, ondas e nebulosidade no dia escolhido para a volta à ilha. Aliás, eu uso esse site pra tudo, até pra saber se vou pegar vento a favor ou contra na hora de voltar de bike do trabalho, hehe;
  2.  Se você mora no litoral, não deixe de treinar antes de fazer a volta à ilha de caiaque. Apesar de a experiência relatada acima ter sido positiva, lembre-se que o treino sempre pode diminuir o sofrimento e aumentar o aproveitamento da atividade. Remar em um rio ou numa lagoa pode ser bem diferente de remar no mar;
  3. Complementando a dica acima, se você mora em Vitória, pode alugar um caiaque (acompanha remo e colete salva-vidas, claro) e testar sua habilidade no mar. Os caiaques podem ser alugados na guarderia, localizada na Curva da Jurema (altura do Mc Donalds). Nas terças e quintas sempre rolam remadas organizadas por grupos. Veja com o Trilhas e Camping, com o Vibe Radical e com o Aves quando será a próxima remada!
  4.  Não se esqueça de avisar a alguém sobre o trajeto que você vai fazer, a que horas vai sair e a que horas pretende voltar;
  5.  Consulte a tábua de marés antes de escolher o dia da sua volta à ilha. Aqui no site da Marinha você pode escolher a opção “Porto de Vitória – Estado do Espírito Santo” para ver as previsões de máxima e mínima para a maré aqui em Vitória no mês selecionado. Para a volta à ilha o ideal é encontrar um dia em que a variação entre a maré alta e a baixa seja de no máximo 1 m, com a maré alta ocorrendo por volta das 13h. ATENÇÃO: o site não corrige as horas de acordo com o horário de verão.
Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco tem 28 anos, é bióloga, dedica-se à restauração de florestas como trabalho e ao montanhismo como lazer - a união dessas duas coisas define seu estilo de vida. Sua história com as montanhas começa em Pancas, a terra do Pontões Capixabas, onde nasceu. Mais tarde, conheceu os trekkings de longa distância e as tradicionais travessias e, desde então, não parou mais.
Anazélia Tedesco

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2 Comentários

  • Muito showww o artigo “Volta na Ilha de Vitória de Caiaque”. Parabéns a galera que fez o percurso, e parabéns para as meninas do Mochilando com Elas. Precisamos disso, mulheres aventureiras. A Soul Adventure fica honrada e agradece por ter seu vídeo publicado neste blogs. Estamos juntos, e dispostos a parcerias.
    Instagram: @adventure.soul
    Grande abraço!
    Equipe Soul Adventure

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