Travessia da Serra Fina: Itinerário

Meninas do "Mulheres no Topo" 2016

Nesse post você saberá um pouco sobre o itinerário que percorremos na travessia. Para saber como se preparar, clique aqui. Já para saber o que levar, clique aqui.

Escolhemos o trajeto tradicional, feito em 4 dias, com acampamentos no 1º dia no cume do Capim Amarelo, no 2º Dia na Pedra da Mina, 3º dia no cume do Pico dos Três Estados e no 4º dia finalizando no Sítio do Pierre – dormindo em Passa Quatro, no conforto da pousada.

Como relatamos no post sobre a preparação, começamos a travessia um dia antes do feriado, para não pegarmos os acampamentos lotados, pois queríamos pernoitar em todos os cumes sem ter que andar correndo ou ter que acordar muito cedo. Essa sugestão foi dada pelos amigos Gisely Bohrer, do Blog A Montanhista e Rafael Kosoniscs, do Seu Mochilão. Eles estiveram na Serra Fina no mesmo feriado um ano antes, e vivenciaram a montanha completamente repleta de gente, o que causava dificuldades para acampar nos melhores locais.

 

Itinerário

  • Dia 1 – Toca do Lobo ao Capim Amarelo
  • Dia 2 – Capim Amarelo a Pedra da Mina
  • Dia 3: Pedra da Mina ao Pico dos Três Estados
  • Dia 4: Pico dos Três Estados ao Sítio do Pierre

 

Dia 1 – Toca do Lobo ao Capim Amarelo

Saída de Passa Quatro com o resgate, com destino à Toca do Lobo, para iniciar a caminhada. A pousada que escolhemos já fica na estrada para a Toca do Lobo, então foi bem rápido, cerca de 30 min até o fim da estrada. Hoje não é mais possível ir de carro até a Toca do Lobo, o resgate te deixará um pouco antes pra começar a caminhada.

Nesse dia, a melhor opção é seguir até o Capim Amarelo, local de acampamento do roteiro tradicional de 4 dias (se não houver espaço para acampar no Capim Amarelo, há a possibilidade de acampar no Avançado ou Maracanãzinho, ambos após o Capim Amarelo).

A navegação nesse dia é fácil, apesar de termos errado o caminho na primeira bifurcação rsrs, pois ignoramos os relatos e GPS, logo percebemos o erro e voltamos pra pegar a trilha certa. Então, logo após atravessar o rio, vire à esquerda na primeira bifurcação, depois disso não tem mais erro. Mas não pense que é fácil, é o pior dia em relação a esforço físico, é uma subida infinita e íngreme. Depois da primeira subida, você chega no Cotovelo (onde almoçamos) e tem a recompensa e o alívio temporário da crista, com uma linda vista. A última subida é a do Alto do Capim Amarelo, cheia de escalaminhadas e trechos escorregadios.

  • Ponto de água: Toca do Lobo – Início da trilha
  • Percurso previsto: 6,5 Km
  • Tempo: 7h
  • Ganho de Elevação: 1.400 m
Passo do Anjo, entre a Toca do Lobo e o Capim Amarelo (montanha mais alta ao fundo)

Passo do Anjo, entre a Toca do Lobo e o Capim Amarelo (montanha mais alta ao fundo)

 

Dia 2 – Capim Amarelo a Pedra da Mina

Não conseguimos ver o sol nascer no Capim Amarelo porque estava nublado, mas tínhamos que tentar. A trilha continua íngreme, exigente, exposta, com muito capim e bambuzal, mas se o tempo ajudar, a vista é linda. Depois do último ponto de água do dia, começa a subida à Pedra da Mina e ela não é fácil, é beeem puxada. No fim do dia, o acampamento pode ser feito na Base da Pedra da Mina, no cume, ou num falso cume logo após. Nós acampamos no falso cume, pois além de não ter que disputar espaço com outras barracas, o lugar é consideravelmente mais protegido do vento.

 

  • Ponto de água: Cachoeira Vermelha – Antes de subir a Pedra da Mina
  • Percurso previsto: 7,5 km
  • Tempo: 8h30
  • Ganho de Elevação: 1.000 m
Priscilla Nobres e Stephanie Vidigal na subida para a Pedra da Mina

Priscilla Nobres e Stephanie Vidigal na subida para a Pedra da Mina

Dia 3: Pedra da Mina ao Pico dos 3 Estados

Ver o nascer do sol na Pedra da Mina é obrigatório, desde que o tempo ajude rsrs. Nesse dia, pegamos a trilha errada e fomos rasgando capim no peito (veja relato), depois disso passamos pelo Vale do Ruah iguais jato e como num piscar de olhos estávamos no Cume da Brecha, onde almoçamos. A navegação no Vale do Ruah é meio complicada, principalmente se houver neblina, então você deve atravessar o rio e, a partir daí, andar com o rio sempre à sua esquerda – ande próximo dele. Ao final do Vale, vire à direita e comece a subir sentido Cupim de Boi.

O acampamento pode ser feito na base dos Três Estados ou no Cume.

 

  • Ponto de água: Rio Verde – Vale do Ruah
  • Percurso previsto: 6,5 km
  • Tempo: 7h
  • Ganho de Elevação: 730 m
Nosso acampamento na Pedra da Mina (falso cume)

Nosso acampamento na Pedra da Mina (falso cume)

Dia 4: Pico dos 3 Estados ao Sítio do Pierre

Acorde cedo para ver o nascer do sol no Pico dos 3 Estados. Esse é o dia mais longo, com muitas descidas e algumas poucas subidas, incluindo a do Alto dos Ivos. Cuidado na descida dos 3 Estados, pois há muito capim e algumas bifurcações. Você pode se orientar observando o Picu, em Itamonte, que tem um formato bem específico e a trilha vai em direção a ele.

A subida do Alto dos Ivos tem um trecho com escalaminhada que de longe dá um medinho, mas é tranquilo, depois disso é só descida e a trilha é bem óbvia, não tem erro.

 

  • Ponto de água: No final da travessia, já próximo ao Sítio do Pierre.
  • Percurso previsto: 10,8 km
  • Tempo: 6h30
  • Ganho de Elevação: 385 m

Total percorrido: 30 km

Na descida do Pico dos 3 Estados

Na descida do Pico dos 3 Estados

 

Escalaminhada Alto dos Ivos

Escalaminhada Alto dos Ivos

Anazélia na escalaminhada do Alto dos Ivos

Anazélia na escalaminhada do Alto dos Ivos

Chegada ao Sítio do Pierre

Chegada ao Sítio do Pierre

Veja AQUI o tracklog do percurso que fizemos durante a travessia. Ele foi gravado durante nossa expedição. Apenas editamos o trecho do Vale do Ruah em que pegamos um caminho maior – não queremos que você faça o mesmo! 😂

Stephanie Vidigal

Stephanie Vidigal

Stephanie Vidigal tem 32 anos, é geógrafa e capixaba. A paixão pela natureza vem desde criança e desde que começou os esportes de aventura já experimentou rapel, cascading, rafting, paraquedas, paragliding, trekking e hiking. Sua paixão maior é pelo trekking, mas ela também pratica com frequência corrida e escalada em rocha.
Stephanie Vidigal

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14 Comentários

  • Olá Meninas! Parabéns pela aventura e relato de extrema utilidade!

    Vou fazer essa mesma caminhada agora em setembro. Gostaria que vcs me ajudassem com dicas para os equipamentos, começando pelo calçado:

    Tenho 1,90 e 97kg… que características devo buscar? Bota ou tenis? sola rigida ou flexivel? peso máximo… marcas de bom custo benefício…

    Podem me ajudar? 🙂

    • Obrigada Armando. Então, na Serra Fina tem q ser bota, impermeável e com cano alto, pelas características do terreno. Nós usamos um modelo feminino da Snake e nos atendeu super bem. Eles tem modelos masculinos legais e com bom custo benefício.

  • Outra coisa… por enquanto só achei esse saco de dormir que alia tamanho adequado (2,20m, para pessoas de 1,90m), peso (700g) e preço razoável…rs:

    http://www.deuter.com.br/sacos-de-dormir/enchimento-sintetico/dream-lite-500-l

    A temperatura extrema é -3ºC…. vcs acham adequado para fazer Serra Fina em setembro?

    • Rodrigo Alonso

      Fala Armando, cara, esse saco de dormir não é adequado, vc não pode se basear pela temperatura extrema, tenha como referência a temperatura limite, no seu caso optaria pelo Exosphere -4 ou Orbit -5, no mínimo esses. Abraços

  • Walter Villafranca

    Olá Stephanie tudo bem? Parabéns pelas aventuras. Tenho 61 anos e quero fazer essa trilha da Serra Fina. Gostaria de uma dica para treinamento, para poder me dar bem nesse percurso. Quanto tempo de treinamento, você malhou muito na academia com ou sem personal. Poderia me dar umas dicas. Abraços

    • Ei Walter! Nossa, parabéns pela determinação! A Serra fina é uma travessia incrível! Nós temos a prática de treinar sempre: corremos na praia, subimos uns morros, andamos de bike… O importante é você criar uma rotina e se possível, aos finais de semana subir alguma montanha proxima à sua casa. Afinal de contas, o melhor treino pra montanha, é na própria montanha ❤️🗻!!! Na academia você treina por poucas horas, ao ar livre essa prática tende a ser estendida, aiiii sim você terá um resultado legal!!! Estamos na torcida por você, hein Walter!! Quando completar a travessia conta pra gente como foi 🙏😘

  • Nivaldo

    Valeu meninas, comecei a minha preparação bem informado com vocês.

  • Nivaldo

    Valeu , comecei a minha preparação bem informado com vocês.

  • Muito bom seu relato, já estou imprimindo.

    Pretendo fazer a travessia em julho/2017. Eu e meu marido conhecemos o Pico da Bandeira (sozinhos) e fizemos a trilha do Rio Betari no PETAR (com guia local), ambos em 2015, e desde então estamos “parados”. Iniciaremos o treinamento o mais rápido possível pois sabemos das dificuldades…
    Queria saber alguns detalhes, se possível:
    Vocês contrataram guia local para a travessia? Se sim, por favor me informe o contato.
    Há sinalização na trilha?
    Há custo para acessar a Serra Fina?

    Muito obrigada!!

    • Obrigada Kelly! Então, não contratamos guia, mas tenho o contato do nosso transfer que é guia lá, o Vinícius (35) 9122-0061 (35) 99700-7001. A trilha não é totalmente bem sinalizada, confunde muito em alguns pontos. Nós fomos sem guia, mas levamos GPS, mapa topográfico, bússola…E não há custo para fazer a Travessia.
      Acho q respondi tudo, qualquer coisa estamos às ordens.
      Bjos e boa travessia

  • Melina Araujo

    Meu Sonho essa travessia… fiz uma corrida de montanha na Serra Fina em 2015, passamos pelo Capim Amarelo. Fiquei apaixonada!!! Ainda não me aventurei nas Travessias, mas em breve pretendo! Muito legal o relato de vocês!!

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