Tepuyes do Parque Nacional Canaíma

Na Savana Sul-Americana: os encantos da Venezuela e sua ‘Gran Sabana’

Extensas áreas de vegetação de gramíneas e arbustos, estação seca longa, queimadas frequentes e plantas resistentes ao fogo. Isso é o que têm em comum as áreas de savana aqui na América do Sul, na África e na Austrália.

Paisagem da Gran Sabana e seus Buritis

Paisagem da Gran Sabana e seus Buritis

Por aqui, a principal diferença é que você não vai encontrar manadas de animais de grande porte, como acontece na África. Mas isso não tira o encanto do local. Na Venezuela, a motivação principal pra nossa ida era, claro, o Monte Roraima. Mas nem só de Roraima vive a Venezuela. É preciso ser insensível pra não se encantar também com uma joia do lugar: a Gran Sabana.

Pra contratar um passeio pela Gran Sabana, saindo de Santa Elena de Uiarén na Venezuela, é bem simples. Assim que chegamos à cidade, na sexta-feira, procuramos uma pousada pra ficar. Existe uma rua cheia delas, que os nativos meio que apelidaram de ‘Calle de las Posadas’. Basta conversar com qualquer funcionário dessas pousadas para que eles arranjem logo um 4×4 pra te levar até a Sabana. Isso quando você não é abordado nas calçadas por operadores de turismo oferecendo o roteiro. Claro, cabe ressaltar que fomos em setembro, que pode ser considerado um mês de alta temporada pois (estranhamente, pelo menos pra mim) os venezuelanos estão de férias e lotam a Gran Sabana, o Monte Roraima e tudo mais…kkk. Isso pode ter influenciado nessa grande disponibilidade de opções pra fazer os passeios.

Além da Gran Sabana, um passeio famoso nessas bandas da Venezuela é Salto Angel. E não é à toa, claro! Ela é considerada a maior cachoeira do mundo, com mil metros de queda d’água.

Salto Angel. Foto: Shutterstock

Vista aérea do Salto Angel

 

Já tínhamos contratado o trekking do Roraima com a agência Backpacker (relato do trekking em breve aqui no blog!). Essa empresa faz os dois roteiros: Gran Sabana e Salto Angel. Como a gente tinha apenas uma dia disponível e o passeio à Salto Angel leva no mínimo 3 dias, chegando a Sta Elena perguntamos sobre o roteiro da Gran Sabana. A princípio, assim em cima da hora, eles disseram não ter carros 4×4 disponíveis, apenas ônibus. Um dia inteiro rodando de ônibus? Melhor não. Começamos a ver com outras agências. No entanto, de noite, quando fomos pagar o valor restante do Roraima – a primeira metade foi paga aqui do Brasil – a Elyz, funcionária super simpática da Backpacker, deu a boa notícia: havia um carro livre e poderíamos fazer o passeio com eles no dia seguinte. Passeio fechado a R$ 30,00 por cabeça, fomos dormir felizes.

Acordamos cedo no sábado para procurar uma padaria e, pasmem, foi uma das nossas tarefas mais difíceis na Venezuela. Mas deu certo! Café tomado, estávamos de volta à frente do escritório da Backpacker. Lá estava o guia Carlos, nos aguardando pro passeio na Gran Sabana. Entramos no carro e partimos pra Gran Sabana, os nove integrantes da equipe: eu, Thaís, Mila, Raiany, Rosa, Rodrigo, Nivaldo, Zezinho e Floris.

 

4x4 na Gran Sabana

 

No caminho, paradas para abastecer (com um real dá pra abastecer o tanque do carro 8 vezes!) e para verificação pelo exército venezuelano. Geralmente o pessoal do exército é bem rude, mas quando estávamos nesses carros de turismo, com guias conhecidos por eles, não questionavam nada. A cada ponto de interesse, o Carlos parava e dizia quanto tempo tínhamos pra desfrutar.

 

Dentro do carro, já na Gran Sabana, muitas comunidades indígenas e suas casas de pau a pique

 

1ª parada: Quebrada Jaspe, na comunidade de Kakó Parú 

Por volta de 10 h da manhã chegamos à comunidade de Kakó Parú, no Parque Nacional Canaíma. Taxa de entrada: B$ 100,00. A Quebrada Jaspe, como é chamada a principal cachoeira de lá, estava lotada e resolvemos ficar só nas fotos mesmo. No caminho de volta pro carro, olhamos um pouco do artesanato indígena que fica exposto no local. São várias barraquinhas e cada índio toma conta da sua. Também dão a opção do turista se vestir como índio para tirar foto. Vários venezuelanos em férias estavam fazendo isso. Outra coisa a se fazer por ali é brincar de tiro ao alvo com arco e flexa. Como queríamos aproveitar bem o dia, partimos para a próxima.

 

Às 11h25 chegamos à comunidade de Kakó Parú, no Parque Nacional Canaíma. Taxa de entrada: B$ 100,00

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Nas águas da Quebrada Jaspe

 

2ª parada: Mirador Ilú Tepuy

Aqui foi a primeira vez que tivemos uma vista clara do nosso desafio. Lá estava o Monte Roraima, enfileirado ao lado dos outros tepuyes do Parque Nacional Canaíma. Imponente, lindo, desafiador. Ficamos alguns minutos apenas contemplando.

Foi aqui, também, que a gente percebeu como a dinâmica de chuvas na Gran Sabana é peculiar. De um lado, chuva; de outro, sol. O limite da cortina de chuva era facilmente identificável.

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Karaurin, Wadaka, Yuruani, Kukénan e Roraima ao fundo. Thaís e eu à direita =)

Tepuyes da Gran Sabana vistos do Mirador Ilú Tepuy

 

3ª parada: Balneário Soroape

Aqui, mais um monte de barraquinha de artesanato indígena e uma cachoeira que prometia matar nosso calor. Nessa a gente não resistiu e caiu na água! O Carlos deixou a gente aqui por volta das 11h e combinou de nos buscar e levar para o almoço na comunidade de San Franscico. O cardápio? O famoso pollo da região! Ruim pro Nivaldo, que só come frango em situações de vida ou morte…rs

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4ª parada: Salto Kamá

O Salto Kamá fica na comunidade mais charmosa de todas essas que visitamos. Um rio largo e caldaloso dá origem a uma cachoeira forte e barulhente. Na descida até o poço que ela forma, muitos puri-puris (os mosquitos do cão que quase te carregam na Gran Sabana) e muita água vindo da cachoeira. Aqui eu descobri que ‘carpa’ em espanhol é barraca, e não um peixe! kkkkkkk Área de carpas portanto, é a área do camping.

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5ª e última parada: Salto Kawí

Esse salto fica em mais uma comunidade indígena e aqui, para acessar a cachoeira, mais uma taxa: B$ 50,00. Já tava de tardezinha. Quando chegamos, cachoeira cheia. Quando saímos, tudo calmo e vazio. Eu e Raiany ficamos tirando fotos e curtinho os puri-puris. Todo o resto do pessoal caiu na água, até o celular da Mila! R.I.P. celular.

No fim das contas, o passeio pela Gran Sabana no fim é uma pernada de um dia, com transporte de 4×4 que te leva aos principais pontos de interesse: cachoeiras localizadas em comunidades indígenas no interior do Parque Nacional de Canaíma.

 


Ficha da pernada

Duração: 1 dia

Transporte: veículo 4×4 até as comunidades indígenas e trilhas curtas até os pontos de interesse

Valor: num grupo de 9 pessoas pagamos R$ 30,00 por pessoa.

Dificuldade: praticamente inexistente, as trilhas são bem leves e dá pra fazer esse passeio até com criança

Contato: Backpacker Toursinfo@backpacker-tours.com

No site a empresa dá opção de um tour de três dias pela Gran Sabana.

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco tem 28 anos, é bióloga, dedica-se à restauração de florestas como trabalho e ao montanhismo como lazer - a união dessas duas coisas define seu estilo de vida. Sua história com as montanhas começa em Pancas, a terra do Pontões Capixabas, onde nasceu. Mais tarde, conheceu os trekkings de longa distância e as tradicionais travessias e, desde então, não parou mais.
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