Da série “Cagar no mato”: como funciona o banheiro portátil

Bom, é isso mesmo. Sem meias palavras, aqui vai um simples e objetivo – porém absolutamente esclarecedor – post da série ‘cagar no mato’.

Recentemente, na nossa preparação pro trekking ao Monte Roraima (relato em breve aqui), fomos surpreendidas por um item curioso na lista de equipamentos que seriam providenciados pelo nosso guia. Entre barracas e equipamentos de cozinha, estava o inquietante ‘baño portátil’.

Cualquer persona que toma cueca-cuela e possui un español fueda como yo, logo pensa em banho, chuveiro e afins. Uma rápida busca no google me esclareceu que não se tratava disso, mas sim de um aparato para facilitar a vida no momento de fazer o número dois. Abaixo, o aspecto do equipamento: uma cabaninha e um sanitário de plástico.

 

Banheiro portátil

Testando o banheiro!

 

Pode parecer frescura para a maior parte das trilhas num país tropical como o nosso, com a velha opção de se afastar da trilha, executar, cavar e enterrar. Acontece que o Monte Roraima tem recebido cada vez um número maior de turistas e, além disso, não é possível cavar, pois o terreno é pura rocha. Importante lembrar, também, que no Roraima você passa no mínimo 6 dias no mato. Não tem essa de deixar pra depois…

 

Sem as medidas adequadas, os impactos que os dejetos humanos podem deixar na montanha são, ao longo do tempo, desastrosos – tanto para a montanha quanto para os montanhistas. Numa lista rápida, podemos incluir entre as consequências inconvenientes: o uso de locais próximos às trilhas e aos acampamentos, o abandono frequente de papel higiênico e lenço umedecido junto aos dejetos, e a tão temida contaminação da água por vírus, bactérias ou parasitas causadores de eventos graves de diarréia.

 

Por conta disso, e buscando práticas de mínimo impacto nas atividades de montanhismo, o Parque Nacional de Canaíma instituiu como regra que os guias – cuja contratação é obrigatória – disponibilizem para uso dos clientes o tal banheiro portátil.

 

Por mais esclarecedor que o google tenha sido, nada se compara à instrutiva palestra sobre o uso do baño portátil, proferida pelo nosso porteador de baño, o Omar. Portanto, compartilhamos abaixo as recomendações preciosas.

 

Resumindo:

1. Primeiro levanta-se a tampa do sanitário, preenchendo o vazio central com uma sacola plástica;

2. Em seguida, é preciso abaixar a tampa para que a sacola se prenda. Acrescente uma camada de cal ao fundo da sacola;

3. Execute o serviço sujo. Só o chocolate. O nº 1 pode ser feito na savana;

4. Jogar o papel higiênico ou lenço umedecido na sacola. E mais um pouco de cal;

5. Amarrar a sacola e deixar do ladinho da tenda. Fim

 

A tenda, o assento dobrável e os saquinhos produzidos são carregados por um dos membros da equipe de carregadores. Amigos nossos que foram anteriormente ao Roraima relataram que na expedição deles os carregadores arremessaram os saquinhos antes da descida. Se fazem isso mesmo, por favor, né… Perde-se o sentido de levar essa parafernalha toda pro mato. Na nossa expedição não aconteceu e, até onde acompanhamos, os nossos dejetos retornaram junto com a gente pra comunidade de Paratepuy.

 

Minha impressão pessoal da coisa toda: muito confortável e discreto (risos!). Sem dúvida é a melhor experiência para necessidades fisiológicas em montanha. Um ponto evidentemente contra é que raramente vai ser possível contar com uma pessoa encarregada quase que exclusivamente de carregar o banheiro portátil. Eu só vi disso no Roraima e tenho notícias de tentativas parecidas em alta montanha, como nos Everests da vida.

 

Curiosidade: aproveitando que demos sorte e as noites no topo foram todas lindas, houve quem esperasse todos irem dormir para admirar o céu estrelado do Roraima do alto do seu troninho dobrável.

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco tem 28 anos, é bióloga, dedica-se à restauração de florestas como trabalho e ao montanhismo como lazer - a união dessas duas coisas define seu estilo de vida. Sua história com as montanhas começa em Pancas, a terra do Pontões Capixabas, onde nasceu. Mais tarde, conheceu os trekkings de longa distância e as tradicionais travessias e, desde então, não parou mais.
Anazélia Tedesco

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