Peixe-boi marinho - Alagoas. Foto: Divulgação/Scritta

Santuário do Peixe-boi marinho: turismo ecológico em Alagoas

Visita guiada ao Rio Tatuamunha - Porto de Pedras/AL

No início dos anos 80, nasciam dois projetos irmãos: o Tamar e o Peixe-boi. Após algumas expedições ao longo da costa, descobriram os primeiros exemplares de peixe-boi no litoral de Alagoas. Pouco tempo depois, contaram 40 numa vistoria aérea. Hoje, sabe-se que eles são apenas 500 no litoral do Brasil. Quem contou essa história foi a nossa guia na visita ao santuário do peixe-boi no rio Tatuamunha, a Flavia Rego.

Mas como fui parar lá? Bióloga mochilando pelo litoral… isso só pode acabar em turismo ecológico. E foi o que aconteceu!

Durante o planejamento do roteiro para Alagoas, acho que as palavras mais repetidas por mim foram “peixe-boi, peixe-boi”. Em coro, cantarolando mesmo, na expectativa de ver esse lindo numa das praias ou num dos estuários de lá.

O plano de viagem era percorrer todo o litoral norte e parte do litoral sul, conhecendo algumas das praias mais bonitas, pelo menos segundo os guias que lemos antes de ir.

Saímos de Maceió em direção a São Miguel dos Milagres. No segundo dia, fomos até a divisa com Pernambuco e voltamos até Japaratinga. Tem muitaaa praia bonita pra ver em Alagoas. Você se perde nas horas só de tentar escolher o que ver. Aqui vai um pouquinho do que vimos por lá.

Depois dessas andanças, no terceiro dia de viagem, começou nossa busca pelo Santuário do Peixe-boi marinho.

 

COMO CHEGAR?

Quase todas as praias da Rota Ecológica ficam em cidades e povoados bem pequenos e muitas vezes não há sinalização. Outra coisa que pode dificultar é que as imagens do google street view pra essa região são de 2012, e a sede da associação foi construída depois disso. Pra facilitar incluí um mapa no final do post, com a localização exata da sede do projeto.

 

O PASSEIO

Uma vez lá, você pode se estacionar ao lado da sede da associação, pelo menos enquanto acerta os detalhes do passeio, como pagamento da taxa do guia e preenchimento da ficha com seus dados.

Nas pousadas do entorno, nos informaram que o último grupo sai para o passeio às 16 h. Mesmo assim, preferimos ir no horário da manhã, pra garantir que conseguíssemos vaga. E quase que a gente não consegue mesmo. A associação tem um limite de 70 visitantes por dia no Rio Tatuamunha. Nesse dia, um grupo tinha reservado 40 vagas pra visitação e, pra nossa sorte, eles não apareceram. Então, pra ter certeza de que vai poder ser atendido, melhor agendar com a própria Associação Peixe-Boi de Condutores (informações no fim do post).

Depois de pagar a taxa do passeio, fomos de carro por um caminho de estrada de chão por cerca de 300 metros, até um estacionamento pertinho da trilha até a jangada.

 

O acesso até a jangada é uma trilha suspensa que passa pelo manguezal e cruza o Rio Tatuamunha por duas vezes (há uma pequena ilha de manguezal no meio da travessia). Só esse pedaço já é um atrativo em si, lindo, lindo!

Chegando do outro lado do rio, placas informativas contam um pouquinho da história da Área de Proteção Ambiental – APA Costa dos Corais. As informações adicionais ficam por conta do guia. No nosso caso, da guia. A nossa guia foi a Flavia Rego, bióloga e presidente da Associação Peixe-Boi. Ela contou várias coisas legais sobre a APA Costa dos Corais, entre elas, que a APA é a maior unidade de conservação marinha do Brasil e que se estende até Pernambuco.

Depois dessa explanação, embarcamos na jangada. Dois pescadores locais fazem o trabalho de guiar a jangada com varas de madeira, que eles encostam no fundo do rio e usam como impulso pra fazer a jangada andar.

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No Rio Tatuamunha é proibido o uso de embarcação a motor. A própria comunidade decidiu que fosse assim, pra preservar a paz dos peixes-boi que usam o rio pra se alimentar, se reproduzir e descansar. Hoje muitos pescadores têm parte da sua renda proveniente dessa atividade de observação do peixe-boi. O que a gente chama de ‘turismo de base comunitária’ deu muito certo em Porto de Pedras.

Poucos minutos depois de entrarmos na água avistamos um rádio-transmissor boiando. Ele foi colocado na nadadeira caudal de um dos peixes-boi recentemente reintroduzido na natureza, para acompanhamento pelo pessoal do projeto.

Um pouco mais a frente, tcharam… a surpresa! Um outro peixe-boi, que já vive há mais tempo ali no rio, se aproximou da jangada. Era o Aldo, velho conhecido dos condutores do Tatuamunha e muito simpático!

 

Depois de se exibir pertinho da jangada, ele deu uma voltinha numa parte rasinha do rio, para nooossa alegria.

A guia explicou que nem sempre é assim. Claro, por estarem soltos no rio, reintroduzidos no seu hábitat natural, eles podem aparecer ou não. Se aproximar ou não. Nesse dia demos sorte, além de aparecerem, eles se aproximaram da jangada. Era difícil segurar o sorriso e disfarçar a felicidade.

São apenas 500 desses no litoral do Brasil, e alguns deles deram o ar da graça pros mochileiros aqui. O mamífero marinho mais ameaçado de extinção. Um herbívoro voraz que pode pesar até 600 kg e come cerca de 10% do seu peso todos os dias. Não precisa ser biólogo pra se impressionar. Sem dúvida, foi uma experiência incrível.

Era hora de ir, saímos do rio, agradecemos a nossa guia e nos despedimos de Porto de Pedras. Até breve!

 


ASSOCIAÇÃO PEIXE-BOI DE CONDUTORES

Serviço: Passeio guiado pelo manguezal e Rio Tatuamunha, com observação de peixes-boi.

Valor: R$ 40,00 por pessoa

Disponibilidade: 70 pessoas por dia, sob reserva

Contatos:

Site da Associação Peixe-Boiwww.facebook.com/associacaopeixeboi
contato@associacaopeixeboi.com.br | (82) 3298-6247

Como chegar:

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco

Anazélia Tedesco tem 28 anos, é bióloga, dedica-se à restauração de florestas como trabalho e ao montanhismo como lazer - a união dessas duas coisas define seu estilo de vida. Sua história com as montanhas começa em Pancas, a terra do Pontões Capixabas, onde nasceu. Mais tarde, conheceu os trekkings de longa distância e as tradicionais travessias e, desde então, não parou mais.
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